Obras

Encontro com todas as coisas impermanentes

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Em minha pesquisa artística aprecio mais os processos do que seus resultados. Tal atitude conduziu minha atenção à filosofia japonesa, sobretudo à observação da estética Wabi-sabi, que valoriza a percepção de como nos constituímos diante do mundo, ao invés da mera  auto-expressão. Encontro com todas as coisas impermanentesé um projeto iniciado em 2018 durante uma viagem de imersão na cultura nipônica. Trata-se de um grupo de trabalhos em andamento incluindo performances para vídeo instalações, fotografias e obras multimídia, baseadas em improvisações espontâneas nos locais em que entrei em contato com Wabi-sabi.

Encontro com todas as coisas impermanentes pretende instigar a percepção a partir da incerteza, o olhar contemplativo atento aos acasos, que deixa de lado a busca por conclusões lógicas. Por meio da contemplação os japoneses enxergam a natureza como um modelo a ser seguido e reverenciado: unem-se a ela em vez de quererem conquistá-la. A transitoriedade é aceita e valorizada como um estado natural, pois nada é estável e permanente no mundo. Nosso refúgio está em aceitar e até mesmo celebrar esse fato. 

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Movimento que silencia

2018, vídeoinstalação, 5’08’’ ,loop ,dimensões variáveis

Trechos do video

 

Inevitavelmente a quietude física desperta ruído mental. Paradoxalmente colocar o corpo em movimento livre facilita a obtenção de um estado de silêncio contemplativo. Quando cesso todo o movimento a mente entra voraz. Por outro lado a natureza me possibilita entrar facilmente nesse movimento expontâneo e silencioso. Quanto mais parado mais ruidoso. Quanto mais movimento mais silencioso.

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Stills do video

 
 

Miragem

2018, fotomontagem digital, políptico de 20 x 30 cm cada

Políptico fotográfico, impressão jato de tinta com pigmento mineral em papel de algodão.

 

Percorrendo o deserto temos a sensação de perceber sempre uma paisagem similar e monótona, mas ao nos ater aos detalhes contemplamos a vastidão existente no espaço aparentemente repetitivo. O deserto simboliza os extremos da natureza; essas terras áridas induzem a uma certa pausa reflexiva. À partir deste ambiente estou discutindo o contraste entre a representação fotográfica e a abstração, ou melhor, a parcela de abstração que toda representação, por mais objetiva que seja, sempre trás consigo. 

O deserto sendo um espaço de altos contrastes, me parece ser uma imagem propícia para discutir a nossa tendência em projetar padrões mentais, que organizam a leitura visual em informação cognitiva.  Para isso, escolhi usar polaroides que fotografei no deserto de Nevada, sobre detalhes ampliados destas imagens somados a campos de cor abstratos. Com isso, cria-se a tendência quase inevitável de enxergar este campo de cor como parte da paisagem. 

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Detalhe de uma peça do políptico

 
 

Fora não há

2018, vídeo, 3’33'‘ ,loop ,dimensões variáveis

Trechos do video

 

As paisagens desérticas com seus vastos campos de areia se configuram como as regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas no planeta. O choque com este ambiente que traz tamanha adversidade física nos despe das camadas civilizatórias aflorando instintos mais primitivos. Em um local de  contrastes e escassez extremos, somos remetidos à impulsos herdados de tempos imemoriais. 

 Essencialmente somos norteados pela busca de nossas origens e nosso destino. À procura de quem somos verdadeiramente. Em busca de onde devemos chegar. O processo civilizatório ocidental nos impele a buscar isso externamente. No entanto, não acredito que seja possível encontrar estas respostas fora. 

A escolha do deserto como uma metáfora  se deve ao fato desta paisagem estar em constante mutação nos deixando muitas vezes à deriva. Nesse espaço o tempo parece parar. Somos incitados à um estado de suspensão e desaceleração. Confrontar o vazio externo permitindo-se se perder no deserto talvez possibilite a gente se encontrar. 

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Still do video

 
 

O vazio cheio de mim

2018, conjunto de 19 polaróides

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Caixa com 19 polaróides 130 cm x 12 cm x 10 cm, edição única

 

Uma sequência de 19 polaróides associadas aos trabalhos Miragem e Fora não há, realizadas no mesmo deserto de Nevada; sendo que algumas dessas imagens foram utilizadas para compor as montagens da obra Miragem. Seguindo o mesmo teor dos projetos citados, as imagens refletem a monotonia externa para representar uma paisagem subjetiva.

 
 

Transborda

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Uma exposição de arte crua e sensível. Para registrar o ato de transbordar, Juliana levou um ano fotografando mais de 400 pessoas encontradas pelas ruas, praças e mercados de várias cidades da América Latina. Em um mundo de tantos filtros, tantas máscaras e contenções sociais, a exposição tem a intenção de sensibilizar o expectador para o que ainda toca o ser humano. Transborda é um registro sensorial do ato de transbordar e captura o instante onde a vida passa pela borda.

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Powder Rape

2017, vídeoinstalação em 5 telas, 2'34'' ,loop, dimensões variáveis

Trechos do video

 

A agressão contra a mulher não assume apenas a forma de violência física. Ela pode ser muito mais sutil, constituindo um estado abrangente e recorrente, um nevoeiro sufocante que nos engole mentalmente e nos cega para os caminhos de fuga. Pode até parecer inofensiva, mas seja qual for a forma, a violência inevitavelmente nos transforma, afetando a nossa perspectiva da sociedade e de nós mesmos de maneira fundamentalmente prejudicial. 

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Stills do video

 
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Registro de exposição

 
 

Um estado claro de ambiguidade

2017-2018, Impressão com colagem sobreposta de espelho e vídeo, 1’37’’, loop

Trechos do video

 

A instalação busca aproximar o público de uma experiência realizada com cerca de doze pessoas de diferentes origens. Enquanto elas pronunciam a palavra ambíguo, os olhos da artista são refletidos em um pedaço de espelho que é segurado sobre seus rostos, obliterando sua visão.

Ao lado da tela de exibição do vídeo, um autoretrato impresso da artista é fixado diretamente sobre a parede, contendo o mesmo pedaço de espelho colado que  sobrepõe seu olhar. Assim, os olhos do espectador estarão refletidos no lugar dos olhos dela.

No Tríptico fotográfico é evidenciada a aceitação da diversidade assim como a flexibilidade de nos colocarmos no lugar do outro.

Um estado claro de ambiguidade surgiu inspirada na obra do fotógrafo ucraniano Paul Apal’kin e da pesquisa que Juliana Stringhini desenvolve desde 2014, quando a alteridade passou a ser percebida como autoretrato, e toda relação derivada como reflexo de si mesmo. Todo retrato é um autorretrato. Todo relacionamento é um reflexo de quem somos.

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Stills do video

 
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Registro de exposição

 
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Tríptico fotográfico, impressão jato de tinta com pigmento mineral em papel de algodão.

 

Não sou Finito

2018, fotografia e vídeoinstalação em 2 telas, 3' ,loop, dimensões variáveis

Trechos do video

 

O projeto Não sou Finito documenta uma ação performática dividida em dois momentos, na qual estabeleço relações com cordas de forma diametralmente diversa. Enquanto em uma cena meu corpo está atado a uma árvore, na outra, tento simbolicamente diminuir a distância entre mim e o infinito ao puxar uma corda que vem do alto, cuja extremidade não é visível.

A performance é uma forma de encarnar gestos para dar visibilidade a experiências arquetípicas compartilhadas. A situação de estar amarrada a uma árvore com cordas que além de restringirem o corpo, também amordaçam, e, principalmente cegam, representa as limitações mentais constituídas pelos condicionamentos sociais.

O contraste entre os dois atos performáticos evoca a cisão do sujeito e a Natureza implicada na constituição da identidade individual durante processo civilizatório. 

Neste sentido, o projeto toma como ponto de partida a noção de que ao nascer os seres humanos se relacionam de forma mais integrada à natureza, e é o processo evolutivo que em nome da suposta autonomia, acaba incutindo inúmeras amarras invisíveis. Será mesmo que o processo civilizatório trouxe independência à nossa espécie? Ou nos tornamos escravos dos valores de nossa civilização?

Já na ação no lado esquerdo, busco caminhar com as mãos, que tentam alcançar o infinito, evocativamente trazido do alto pela corda. O gesto repetitivo reforça o teor cíclico, impregnado por reminiscências trazidas à consciência por obras sublimes como a  Coluna sem fim de Brancusi, aproximando o chão e sua dimensão palpável à sutil intuição do infinito.

Enquanto o filme se desdobra no tempo, a fotografia seleciona um fragmento do fluxo temporal e coloca a cena em suspensão.

O paradoxo é como pode algo finito, como nosso corpo, sentir e perceber o infinito?

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Still do video

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Tríptico fotográfico, impressão jato de tinta com pigmento mineral em papel de algodão.

 
 

Isso que pulsa

2018, vídeoinstalação em 9 telas, 2'25'' ,loop, dimensões variáveis

Trechos do video

 

Energeticamente, existe diferença entre a vida e uma natureza morta? Se não, uma natureza morta pulsa? Por que a ausência de vida gera simultaneamente repulsa e atração em nós? Nosso destino é uma natureza morta?

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Stills do video

 
 

Espuma Tijolo

2017, vídeoinstalação em 2 telas, 7'11'' ,loop, dimensões variáveis

Trechos do video

 

As prisões que construímos para nós mesmos assumem muitas formas – de óbvias e sólidas barreiras que tanto protegem como isolam, até formas mais suaves e aparentemente maleáveis, mas que delicadamente nos alienam de nós mesmos e dos outros.

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Stills do video

 
 

Fluído-estático

2018, vídeoinstalação em 2 telas, 2'30'' ,loop, dimensões variáveis

Trechos do video

 

As maneiras pelas quais nos impedimos de avançar assumem muitas formas – de pesados obstáculos monolíticos até a subversiva confusão que se acumula lentamente ao longo do tempo. Todas representam impedimentos à mobilidade produtiva. 

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Stills do video

 
 

State of stable disequilibrium

2017, vídeo ,6'10'', loop

Trechos do video

 

Uma metáfora da necessária luta contínua para manter o senso de equilíbrio em todos os aspectos da vida cotidiana, com atenção particular à maneira pela qual o equilíbrio/desequilíbrio emocional e psicológico afeta o teor da nossa experiência física em diferentes espaços. É central para este tema a noção de que tanto as pequenas como as grandes interferências são capazes de perturbar um estado de equilíbrio. 

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Stills do video

 
 

Um estado de dúvida...certeza.

2017, vídeo, 1'36''

Trechos do video

 

Um estado de dúvida cria múltiplas identidades competindo por aprovação. A certeza é tão diferente disso? A dúvida é um estado contagioso, espalhando-se rapidamente por diversos aspectos de nossas vidas. A artista traz uma metáfora de seu próprio caminho profissional através da brincadeira da imagem. 

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Stills do video

 
 

Ilusão das amarras

2018, vídeo, 3'07''

Trechos do video

 

Quando a obediência se torna sinônimo de submissão? Até que ponto estamos conscientes das nossas próprias submissões diárias? O processo de libertação depende da iniciativa e ação de outros? A libertação é um ato privado ou social? A liberdade de fato não acontece se nossa percepção sobre nós mesmos e nosso entorno não for alterada, se seguirmos presos mentalmente.

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